A importância do local em tempos globais

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Crédito: Giovanna Bicalho

Em plena pandemia de Covid-19, a Gazeta destacou como os jornais de bairro fortalecem a democracia e aproximam a comunidade

No último especial de aniversário da Gazeta de Santo Amaro, trazemos um “Fragmento da Nossa História” mais recente. Publicada em 19 de setembro de 2020, a matéria “Jornais de bairro completam 125 anos a serviço da comunidade”, celebrava a criação do primeiro jornal de bairro, “O Braz”, e destacava a importância do jornalismo de bairro para a população, especialmente em períodos desafiadores como o ano de 2020 que ficou marcado pela pandemia de Covid-19. Confira a matéria abaixo.


Jornais de bairro completam 125 anos a serviço da comunidade

De acordo com estudos, o jornalismo local aprofunda a democracia porque veículos de comunicação locais aumentam a participação popular na política, o que faz as pessoas construírem um senso de pertencimento e identidade

Foi em 1º de setembro de 1895 que surgiu o jornal O Braz. Há 125 anos, o primeiro jornal que pensou na comunidade local como foco e fonte de notícias.

De acordo com o Atlas da Notícia de 2019, o Brasil tem 11.833 veículos oficialmente jornalísticos. No entanto, cerca de 37 milhões de pessoas vivem em desertos de notícias, ou seja, em 62,6% dos municípios brasileiros não há veículos jornalísticos.

De acordo com 18 estudos sobre jornalismo comunitário organizados por Josh Stearns, diretor do programa Public Square da ONG Democracy Fund, o jornalismo local aprofunda a democracia porque veículos de comunicação locais aumentam a participação popular na política e assim os políticos trabalham mais com menos dinheiro. Segundo esses estudos, nas comunidades que existem jornais locais, as pessoas constroem um senso de pertencimento e identidade.

Veículos de comunicação são importantes todos os dias, mas principalmente em tempos de calamidade, como uma pandemia, e em época de eleições: uma das análises do programa Public Square revelou que 13% dos eleitores se mobilizaram para ir às urnas votar após terem o hábito de ler jornal diariamente.

“Poucos duvidam de que os vários meios de comunicação tenham desempenhado e continuam desempenhando um papel crucial na formação de um sentido de responsabilidade pelo nosso destino coletivo. (…) Eles ajudaram a formar um certo ‘democratização da responsabilidade’, no sentido de que a preocupação por outros distantes se torna cada vez mais entranhada na vida cotidiana de mais indivíduos. (…) Eles comprovam a possibilidade de que a crescente difusão de informações e imagens através da mídia pode ajudar a estimular e a aprofundar um sentido de responsabilidade pelo mundo da natureza e pelo universo de outros distantes que não compartilham das mesmas condições de vida”, reflete o sociólogo e professor norte-americano John Brookshire Thompson.

A “responsabilidade pelo destino coletivo” passa pela mão de toda a sociedade e isso prova também que o jornalismo local não existe sem o engajamento da comunidade. O jornalismo local é um movimento cívico e responsável que trata a comunidade como uma aliada na resolução de problemas e lutas sociais para a construção de uma sociedade livre.

Mais do que uma função social realizada há 125 anos, o jornalismo local ou comunitário ou de bairro é uma responsabilidade democrática perante a sociedade.

Por Giovanna Bicalho


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br

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