Perigo das telas em época de férias escolares

0
22
Crédito: Freepik

Pesquisa aponta que hábito começa cedo e especialista alerta para prejuízos no aprendizado e nas relações sociais

Época de férias requer cuidado redobrado quando o assunto são crianças e o uso de telas com o uso da internet em geral. A pesquisa “Panorama da Primeira Infância”, realizada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, mostra que mais de 60% das crianças de até seis anos já têm contato direto com celulares, TVs e tablets por duas a três horas diárias.

O levantamento também aponta que 78% das crianças de até três anos usam telas todos os dias, embora 58% dos pais admitam que esse hábito deveria ser limitado. Para a especialista em Educação Inclusiva e em Psicopedagogia Escolar, Sandra Cirillo, coordenadora pedagógica na Escola Gracinha, o uso excessivo não afeta apenas a rotina em casa, mas também o desempenho escolar, comprometendo a atenção aos conteúdos e as relações interpessoais.

“Como o uso do celular ocasiona certa dependência das telas, os estudantes tendem, pelo excesso desse uso, a manterem a atenção limitada aos conteúdos que são apresentados pelos algoritmos, que abarcam mensagens prontas, apresentação de informações rasas, de engajamento autômato e que não promovem, de maneira geral, exercícios de cognição, elaboração, reflexão e criticidade”, explica.

Os efeitos se estendem também às interações sociais, uma vez que as relações interpessoais exigem esforço, negociação e convivência com as diferenças e, ao contrário do que acontece no ambiente digital, não podem ser simplesmente desconectadas diante de situações desagradáveis. Com o distanciamento provocado pelo excesso de telas, muitos perdem, inclusive, a capacidade de lidar com os dilemas próprios da vida na coletividade.

Nesse contexto, o resgate do brincar aparece como alternativa essencial. “As atividades lúdicas oferecem a possibilidade de que crianças e adolescentes encontrem prazer com outras formas de entretenimento e de relação com seus pares. Com o excesso de telas e o seu poder de adição, os estudantes tendem a entender que essa é a única forma possível de diversão e interação, mas que se apresenta como um modo passivo e individualizado de entretenimento”, afirma Sandra.

Brincadeiras, jogos e passeios ao ar livre, segundo ela, despertam a criatividade e o engajamento com a coletividade, ajudando a substituir o tempo de tela por experiências mais significativas. “A tendência é a de que, ao iniciarem atividades que dão prazer e promovem integração, ‘esqueçam-se’ temporariamente das telas, uma vez que estão imersos em outras atividades que dão sentido e que divertem”, complementa.


SUGESTÕES DE PAUTA: reportagem@gruposulnews.com.br 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.