Pesquisa indica que mulheres e negros são as principais vítimas de desaparecimento na Zona Sul

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Alunas do ensino médio analisaram 185 boletins de ocorrência de jovens entre 10 e 19 anos

 

 

Um grupo de alunas do ensino médio representaram o Brasil em uma feira de iniciação científica nos Estados Unidos com um trabalho sobre pessoas desaparecidas na Zona Sul de São Paulo. Elas descobriram que a maioria dos desaparecidos entre 10 e 19 anos são meninas e negros.
Participaram da feira alunos de seis Estados que apresentaram 18 pesquisas com temas variados, como tratamento para câncer de pele, detecção de adulteração de bebidas e uso do gás carbônico para aumentar a produção agrícola.
O trabalho “Cartografia: adolescentes desaparecidos no “Triângulo da Violência” na zona sul de SP” trata de pessoas desaparecidas no ano de 2016, em quatro distritos da Zona Sul: Capão Redondo, Jardim Herculano, Jardim Ângela e Parque Santo Antônio. Foram analisados 185 boletins de ocorrência dessas regiões.
Com o trabalho, as alunas analisaram que, no Jardim Herculano, as meninas representam 70% dos boletins de ocorrência e são as que mais correm risco de desaparecer.
“Ela não só sofre com todas as questões do sexismo e machismo, como também com o racismo, pois as mulheres que nós encontramos são pardas, ou seja, a maioria dos adolescentes desaparecidos são mulheres pardas que também possuem uma escolaridade ignorada”, disse a aluna Clara Ferreira.
Na região do Capão Redondo, mais da metade (59%) dos desaparecidos são negros, e 29% são brancas. Além disso, foi descoberto que onde há mais serviços de atendimento à adolescentes, jovens e mulheres, o número de desaparecidos é muito menor, como no Campo Limpo. Dois fatores ligados ao problema são a renda e a baixa escolaridade.
“A única área que os serviços sociais ligados a cultura, ao lazer e ao esporte se concentram não há nenhum fenômeno do desaparecimento”, explica a aluna Beatriz de Souza.
A Secretaria de Segurança Pública disse que em 2016 foram registrados 10.197 novos casos de desaparecimento de crianças e adolescentes.
Até agora, nenhum dos casos analisados no trabalho foram resolvidos.
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