Grupo Sul News

Mais de 70% dos alunos do ensino médio usam celular nas atividades escolares. Educadora alerta para uso indevido da internet

Combinação de domínios, como autocontrole, empatia e decisões responsáveis, podem prevenir consequências provocadas pelo mau uso das redes sociais

Uma pesquisa feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) revelou que 52% dos alunos de escolas com turmas de 5º e dos 9º anos do ensino fundamental e do 2º ano do ensino médio, localizadas em áreas urbanas, usaram telefones celulares em atividades escolares no ano passado. Entre os estudantes do ensino médio, o percentual atingiu 74%. Segundo a pesquisa TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) Educação 2016, 95% das escolas públicas têm ao menos um tipo de computador conectado à Internet.

Os dados mostram também que 91% dos professores acessaram a internet pelo celular para uso pessoal (no levantamento anterior, em 2011, eram 15%) e 49% dos professores usuários da rede declararam usar o telefone móvel em atividades com os alunos, um crescimento de 10 pontos percentuais em relação ao ano anterior (39%). Entre os estudantes 31% disseram entrar na Internet pelo telefone celular na escola, sendo 30% entre os alunos da rede pública e 36% nas instituições privadas.

O uso dos celulares e da internet como ferramenta para realizar atividades escolares pode também indicar a facilidade da exposição de jovens e crianças às redes sociais.  Para a antropóloga Tania Fontolan, diretora-geral do Programa Semente, a internet pode ser muito útil para trabalhar, estudar e transmitir conhecimentos. Entretanto, quando não utilizada corretamente, pode ser extremamente perigosa, principalmente nas mãos de crianças e adolescentes.

 “Infelizmente, é comum a ocorrência de agressões virtuais – como o cyberbullying, e outras consequências prejudiciais às crianças e aos jovens. Por vezes, eles são alvos de ataques ou até os causadores da ação, já que a imaturidade e a falta de informação para lidar com uma ferramenta de alcance universal podem causar danos de grande repercussão”, destaca.

Tania acredita que a instantaneidade das redes ofusca o entendimento do que é público (o que pode ser compartilhado) e do que é privado (o que deve ser mantido em sigilo). “Antes, espalhar um boato tinha consequências menos dramáticas. Agora, uma vez divulgado, não há limite de tempo e espaço”. Além disso, Tania pontua que o anonimato e a “distância” que o agressor possui do seu alvo passam a impressão de impunidade. “Temos uma ideia de falsa proteção e falsa realidade, uma sensação de encorajamento. É muito mais fácil ofender alguém virtualmente”, diz.

Um outro agravante vem a ser a impulsividade que a rede social induz. Antigamente, era mais complicado compartilhar um boato ou espalhar uma notícia. Hoje, basta um click.

Sabendo que esses jovens estão cada vez mais usando a internet como ferramenta para fazer as atividades escolares e, portanto, estão mais sujeitos a navegar no mundo virtual, é preciso atuar na prevenção. Acredita-se que o amadurecimento é um processo gradual, por isso, trabalhar o emocional da criança o mais cedo possível é o primeiro passo para que ela cresça hábil emocionalmente. Além disso, quanto menor a faixa etária, maior deve o monitoramento do uso das redes, e os responsáveis por isso são os pais, que devem ser o maior exemplo de responsabilidade e empatia para os pequenos.

Os educadores também têm um importante papel nessa trajetória, que é explicar com dinâmicas e de forma didática as consequências da irresponsabilidade, e como praticar a empatia. “Tudo isso cria uma atitude mais responsável diante das coisas. Gera pessoas melhores”, conclui Tania.

Adicionar comentário

Cadastre-se em nossa
Newsletter

Receba Notícias, Eventos, e muito mais
da sua Região.
CADASTRAR
Caso não queira se cadastrar ou já tenha se cadastrado,
basta fechar essa janela para continuar lendo.
close-link