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Há 50 anos… Centro Social do Brooklin e o Desfavelamento

No jornal Gazeta de Santo Amaro em sua 379ª edição (04 de agosto de 1967), publicamos uma matéria dizendo que 38 milhões de cruzeiros foram conseguidos pelas damas da alta sociedade na época para o desfavelamento.

Confira!

 

Há Cêrca de 5 anos, em janeiro de 1962 mais precisamente, quando as insistentes chuvas destruíram o barraco de Francisco Ildefonso, o Centro Social Brooklin dirigiu suas atividades para os favelados de modo mais atuante e enérgico. Celeste Stuart, vice-presidente do CSB, através da compra de um terreno na Vila Hípica solucionou o problema de Ildefonso. Foi o primeiro de uma série que se estendeu por Americanópolis, Campo Grande, Vila Remo, Cidade Adhemar etc., construindo casas com área média de 40 m2, atendendo mais de 1.500 pessoas.

De 62 a 67 o Centro Social do Brooklin construiu 16 casas com seus próprios recursos e mais 6 com auxílio do MOV, totalizando 22 casas, em trabalho elogiável de Comissão composta por Adelina Bixio, Angela Maria Peixoto Gomide, Camila Matarazzo, Ignês Salvi, Sara Peixoto Gomide e Zizinha Freyenfeld, contando, inclusive com a colaboração do pedreiro Manuel Francisco dos Santos, ex-favelado que conseguiu elevar-se com suas próprias forças e, numa demonstração de humanismo simples, colaborou com o CSB de modo atuante. As construções atingiram cerca de 38 milhões de cruzeiros, conseguidos graças à compreensão e alto espírito humanitário das damas de nossa alta sociedade, componentes da comissão de desfavelamento.

Com a atuação do BNH, procurando ajudar a população com casas populares, a comissão do CSB diminuiu seu ritmo de construções, para cerca de 4 casas por anos, atualmente com vistas á favela do Aeroporto (Buraco quente).

Graças aos esforços do CBS, o governo do Estado cedeu um velho barracão, que servirá de escola, tendo as senhoras providenciando a sua remoção para a favela, instalando ali uma igreja-escola, com três períodos de aulas e 4 classes, além de uma classe mista, à noite, para alfabetização de adultos, contando com a colaboração das professoras do SESI. Aos domingos o barraco transforma-se em igreja, com missa às 17 horas. Inclusive a pintura do barraco-igreja foi procedida por Celeste e Adelina, encarregadas do “Depto. De Compras e Transportes”.

Além da assistência material-educativa-religiosa, com o fornecimento de alimentos, assistência médica, agasalhos etc., cuja compra é conseguida graças ao “bazar das pechinchas” montado em lugar pré-determinado, com o fito de angariar fundos para as suas obras, o CSB procura legalizar as uniões maritais, registro de filhos, sendo a maioria das componentes madrinhas dos casamentos e batizados, comprovando assim que caridade não é esmola. A assistência religiosa é prestada pelas legionárias de Maria, num trabalho que não pretende somente mudar a casa dos favelados e, muito mais do que isso, melhorar sua educação social-religiosa, dando a esses cidadãos o seu lugar na sociedade, transformando-os em verdadeiros sêres humanos, cônscios de seus direitos e deveres.

O texto foi retirado dos arquivos do Grupo Sul News, portanto a grafia foi mantida como antigamente.

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